
11/06/2010 - 06h06
Comida: É sustentável? De onde veio e como foi feita? É saudável?
Por Redação Akatu
Ao lado de preço e qualidade, serão as perguntas do consumidor do século 21.
Quais seus critérios de escolha no consumo de alimentos? E quais os critérios que serão mais incorporados pelos consumidores neste século 21 e, consequentemente, por produtos e empresas?
Preço, qualidade e marca ainda respondem à primeira questão, mas, como resposta da segunda despontam sustentabilidade, valor de origem e saudabilidade. Valores cuja importância tende a crescer a cada ano deste século de mudanças na sociedade mundial, transformações demográficas profundas, alterações no mundo do trabalho, preocupação crescente com a saúde e aquecimento global.
Mais: a responsabilização individual pelo consumo também tende a aumentar ao mesmo tempo em que o Estado tende a regular ainda mais o mercado de alimentos, o que pode tornar menos flexível a vida cotidiana e mesa sobretudo de nossos filhos e netos.
O diagnóstico é da antropóloga Lívia Barbosa, diretora de pesquisa do Centro de Altos Estudos da Propaganda e Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (CAEPM/ESPM), doutora em antropologia social e integrante do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu.
Lívia participou do painel de abertura do 1º Seminário "Tendências do Consumo Contemporâneo", promovido pelo CAEPM/ESPM em parceria com a Toledo e Associados e Enzo Donna Food Service, nos dias 8 e 9 de junho.
“A responsabilidade individual estará em alta, o que pode alterar até nossa relação com planos de saúde, que podem criar dificuldades na cobertura de doenças de origem alimentar, como obesidade e cardiovasculares. Também o Estado tende a regular mais fortemente o dia a dia, tanto do produtor e do distribuidor como do consumidor”, disse a antropóloga na palestra “O prato nosso de cada dia: tensões e inovações no comer contemporâneo”.
Enzo Donna, diretor da ECD Consultoria, especializada em food service, e coordenador dos Distribuidores Especializados em Food Service (Diefs), dividiu o painel com Lívia e apresentou a palestra “Tendências na alimentação fora de casa e no Food Service”.
Ele apontou que o setor dos serviços de alimentação (hotéis, bares, restaurantes, deliveries, lanchonetes, fast foods) é um dos mercados com maior potencial de crescimento no país e hoje já movimenta um negócio de R$ 443 milhões por dia, quase R$ 162 bilhões por ano.
Segundo Donna, os estabelecimentos do setor têm procurado se adaptar aos imperativos da sustentabilidade e têm investido em embalagens recicláveis e biodegradáveis, de menor volume e com rótulos mais informativos para o consumidor. Este, por sua vez, pode acelerar esse processo de inovação optando por empresas mais comprometidas com a saudabilidade, a origem, a qualidade e os processos sustentáveis de produção, transformação e distribuição dos alimentos no momento do consumo e o descarte adequado das sobras eventuais e das embalagens.
“As pessoas tendem a comer cada vez mais fora de casa. Cozinhar em casa será mais um ato social e menos uma atividade cotidiana. E os serviços, em geral, têm oferecido mais variedade de sabores, com redução de desperdício”, disse Donna.
A gente não quer só comida
Lívia discorreu sobre a divisão que faz em saudabilidade funcional e saudabilidade holística dos alimentos. Na primeira os consumidores valorizam o lado saudável contido nos elementos constitutivos da alimentação. “É a ênfase no alimento não na comida”, define Lívia. Uma abordagem impulsionada sobretudo pelo aumento da longevidade, das doenças cardiovasculares e da “globesidade” (o aumento global do número de obesos).
Na saudabilidade holística, “somos o que comemos”, destaca-se a relevância e a interdependência da comida, com destaque para a preocupação ambiental e a produção da agricultura familiar e agricultura orgânica.
Segundo a antropóloga, o mercado de orgânicos cresceu 200% nos últimos anos, mas o Brasil, os demais emergentes e o mundo pobre ainda engatinham nesse negócio. EUA, Canadá, Japão e Europa concentram 97% do consumo mundial de orgânicos. “Na Alemanha, 80% da ‘baby food’ é orgânica.”
A origem dos alimentos será cada vez mais valorizada, seja por fruição do sabor do alimentos, por política e ética de sustentabilidade e comércio justo ou por preocupação com rastreabilidade.
A comida engole a sala
Como antropóloga, Lívia destacou que a tendência da mesa do século 21 também leva a uma ressignificação e estetização da cozinha. “A nova cozinha surge como espaço de lazer, com novos donos: os homens, que entram ‘armados’ para o espetáculo.”
O design e a tecnologia invadem pias, fornos e fogões; há uma diluição da separação entre sala e cozinha, que passa a ser o ambiente principal da casa. “O convidado não chega mais só para jantar, mas para ‘assistir’ à preparação.”
No 1º Seminário "Tendências do Consumo Contemporâneo", foram discutidas também “As transformações no Morar”, “Tendências no Agronegócio, na Gastronomia e nas Embalagens” e “Tendências do Consumo com o Uso das Novas Mídias”.
(Envolverde/Instituto Akatu)
Marcadores: desenvolvimento sustentável , sustentabilidade ambiental

Por Redação Greenpeace
Óleo não para de vazar no Golfo do México e deixa governo americano incapaz de medir o alcance e o impacto do acidente. Greenpeace cobra moratória de exploração em alto mar.
Doze dias depois do início de um derramamento de óleo no Golfo do México que não dá sinais de arrefecimento, o governo americano sinalizou claramente que não faz a menor ideia sobre qual é a extensão do acidente. Não há posição oficial sobre o tamanho da mancha, a proporção do vazamento, nem os meios mais eficazes de estancá-lo. O comandante da Guarda Costeira Thad Allen em entrevista à rede de televisão CNN, reconheceu que a impossibilidade de mensurar o problema só o torna mais complexo.
Apesar das dúvidas, há pelo menos uma certeza. O acidente com a plataforma de petróleo da British Petroleum no Golfo do México é grande e suas consequências provevelmente serão devastadoras para a biodiversidade e para as economias de estados americanos em cujos litorais o óleo começa a chegar . O presidente Barack Obama, depois de visitar a região, qualificou o derramamento como “potencialmente sem precedentes”. O Greenpeace pediu o fim da exploração de petróleo em alto mar.
Passados mais dois dias de vazamento, as estimativas são de que a mancha teria mais que triplicado de quantidade - de 3 mil quilômetros quadrados no fim da sexta-feira, dia 30, a quase 10 mil quilômetros quadrados, de acordo com imagens de satélites europeus. Dependendo de ventos e maré, o óleo rumará em direção à costa do Alabama e da Flórida .
O acidente acontece um mês depois de Obama ter dado aval para a expansão de projetos de exploração em alto mar, com a justificativa de que as plataformas hoje estariam seguras e não causariam vazamentos. Os projetos estão agora suspensos, aguardando o fim das investigações sobre as causas do desastre.
“Á pergunta sobre se o que está sendo feito é suficiente, a resposta é que não há ‘suficiente’. Tudo está fora do controle. Não podemos remediar este acidente, apenas evitar que outros ocorram”, afirmou Mark Floegel, Diretor de Pesquisa do Greenpeace. “Precisamos que o presidente Obama tome posturas mais radicais para evitar que novos desastres aconteçam. O anúncio de que as operações ficarão suspensas é pouco. Queremos uma moratória completa de exploração de petróleo em alto mar nos Estados Unidos”, disse Mark.
(Envolverde/Greenpeace)
Marcadores: biodiversidade , Meio Ambiente , preservação ambiental , Recursos Hídricos , sustentabilidade ambiental

O Brasil ultrapassou a Argentina e se tornou o segundo maior produtor mundial de transgênicos, "perdendo" apenas para os Estados Unidos. Segundo o ranking anual do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (23/2), o país cultivou 21,4 milhões de hectares de grãos geneticamente modificados em 2009, um crescimento de 35,4% e de 5,6 milhões de hectares em área plantada em relação a 2008.
Segundo o estudo, é a maior expansão entre os 25 países produtores de transgênicos. O crescimento da lavoura de transgênicos foi encabeçado pelo milho Bt (resistente a insetos), cujo cultivo pelos agricultores teve início em 2008. No ano passado, o Brasil plantou 5 milhões de hectares do milho geneticamente modificado, sendo que a expansão da área cultivada foi de 3,7 milhões de hectares - 400% a mais que em 2008.
Além do milho, o Brasil cultivou no ano passado 16,2 milhões de hectares de soja geneticamente modificada e 145 mil hectares de algodão com essas características. Juntas, as três lavouras representam 16% dos 134 milhões de hectares cultivados com transgênicos em todo o mundo.
(Envolverde/Adital)
Marcadores: biodiversidade , Meio Ambiente , preservação ambiental , transgênicos

Por Marcela Valente
Nusa Dua, Indonésia, 25/2/2010 – Dois meses depois da fracassada conferência sobre mudança climática em Copenhague, a comunidade internacional se reúne na Ilha de Bali, na Indonésia, para discutir sobre biodiversidade e ecossistemas, promover a economia ecológica e avançar em reformas institucionais. Representantes de mais de 130 países, em sua maioria ministros do Meio Ambiente, abriram ontem a XI Sessão Especial do Conselho de Administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e Fórum Ambiental Mundial em Nível Ministerial, para analisar as mudanças institucionais necessárias para facilitar acordos e alcançar mais efetividade diante dos desafios da agenda ambiental.
O Fórum e o Conselho estarão reunidos até amanhã no centro turístico de Nusa Dua, onde também foi convocada uma sessão simultânea e extraordinária da Conferência das Partes dos três convênios que regulam o manejo de químicos perigosos. A conferência simultânea, prévia ao fórum ministerial, terminou ontem com um acordo das secretarias dos convênios de Estocolmo, Basiléia e Roterdã para trabalhar de forma coordenada em nível internacional, regional e nacional. Para o Pnuma, foi um modelo de sinergia que deve ser seguido por todo o sistema.
Na abertura do Fórum o ministro do Meio Ambiente da Sérvia, Oliver Dulic, que atuou como presidente do Conselho, disse que a reunião “permitirá que se enfrente os desafios e a preparação para a Conferência de Desenvolvimento Sustentável de 2012, no Rio de Janeiro”. Essa cúpula, conhecida como Rio+20, em referência aos 20 anos do primeiro encontro no Brasil, deverá ser o ponto de chegada para o processo de reformas. “A janela da oportunidade se fecha”, disse aos ministros o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em carta lida na abertura da sessão. Dulic, por sua vez, apelou para que “todos sejamos flexíveis, construtivos e apresentemos ideias inovadoras com resultados concretos que respondam às demandas dos cidadãos”.
O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, que participou como anfitrião da abertura do encontro, pediu aos ministros que dessem “um grande mandato ao Pnuma e aos fundos para sua realização. Temos de chegar ao Rio com uma ONU mais coerente, mais forte e efetiva”, afirmou. Antes do encontro de ministros, também houve o Fórum da Sociedade Civil, que convocou representantes de organizações de todas as regiões e de grupos como acadêmicos, científicos, camponeses, empresariais, sindicatos, organizações ambientais, de mulheres, de indígenas, entre outros.
As organizações intercambiaram propostas e conseguiram o documento comum com iniciativas que levaram ao Conselho. “É um grande acordo, é a primeira vez em muito tempo que conseguimos isso”, disse à IPS a argentina Cecilia Iglesias, da Rede Ambiental e representante do grupo regional latino-americano. O fórum social expressou sua preocupação com as barreiras que travam sua participação, como falta de fundos ou o acesso tardio aos documentos discutidos pelos ministros. “Para poder incidir de verdade, não basta assistir ou participar de uma cúpula, é necessário discutir a agenda antes, e depois fazer o acompanhamento”, reclamou Iglesias.
Também pediram participação mais ativa na discussão sobre economia ecológica, conservação da biodiversidade e políticas de manejo dos ecossistemas, e reclamaram maior envolvimento nos preparativos da Rio+20 para garantirem que suas vozes sejam ouvidas. A economia ecológica é uma iniciativa do Pnuma para avançar rumo a um modelo de produção menos dependente dos combustíveis fósseis e mais vinculado às energias renováveis, com boas práticas no manejo da terra e maior valorização do “capital natural”.
O economista indiano Pavan Sukhdev, que lidera o projeto de Economia Ecológica do Pnuma, explicou à IPS que capital natural não é apenas recursos para a produção. “É uma fonte de serviços proporcionados pelos ecossistemas limpando o ar ou regulando a água para evitar secas e inundações”, afirmou. A iniciativa foi lançada pelo Pnuma em 2008, em resposta à crise financeira internacional e está baseada na premissa de que os investimentos ambientais geram novos empregos e permitem alcançar múltiplos objetivos relacionados com a mudança climática e a preservação da biodiversidade. Os presentes em Bali analisarão os princípios desta nova economia, com vistas a incluir este modelo como novo paradigma de desenvolvimento na cúpula Rio+20.
(IPS/Envolverde)
Marcadores: biodiversidade , Meio Ambiente , mudança climática , preservação ambiental , sustentabilidade ambiental
Escrito por DCOM
Ter, 20 de Outubro de 2009 01:17
Tradução do artigo de Michael Totty, The Wall Street Journal, de San Francisco
É um objetivo muito difícil: nas próximas décadas o mundo terá que se libertar da sua dependência dos combustíveis fósseis e reduzir bem os gases de efeito estufa. As tecnologias atuais só podem nos levar até certo ponto; são necessários avanços revolucionários Eis um resumo de quatro tecnologias que, se derem certo, podem mudar radicalmente o cenário energético mundial Nada garante o sucesso, é claro. Essas tecnologias apresentam difíceis desafios de engenharia e algumas exigem grandes saltos científicos.
E as inovações têm que ser implementadas a um custo que não torne a energia muito mais cara. Se der para conseguir tudo isso, qualquer uma destas tecnologias pode virar o jogo. Energia solar baseada no espaço Há mais de três décadas, visionários já imaginam captar a energia solar onde o sol sempre brilha - no espaço. Se desse para colocar painéis solares gigantes em órbita em torno da Terra, e enviar para a Terra até mesmo uma fração da energia disponível, eles poderiam abastecer qualquer lugar do planeta, ininterruptamente. Essa tecnologia pode parecer ficção científica, mas é simples: painéis solares em órbita, a cerca de 35.000 quilômetros da Terra, enviam energia sob a forma de microondas para o solo, onde ela é transformada em eletricidade e conectada à rede elétrica. (Esses raios de baixa potência são considerados seguros.) Uma estação receptora em terra, com 1.600 metros de diâmetro, poderia produzir cerca de 1.000 megawatts - o suficiente para alimentar cerca de 1.000 residências nos Estados Unidos O custo de enviar esses coletores solares ao espaço é o maior obstáculo; assim, é necessário projetar um sistema leve o bastante para exigir apenas alguns lançamentos.
Um punhado de países e empresas tenciona implementar a energia solar baseada no espaço dentro de cerca de dez anos. Baterias melhores para veículos Carros elétricos podem reduzir radicalmente o uso do petróleo e ajudar na despoluição do ar (se a energia elétrica adotar combustíveis de baixa emissão de carbono, como o vento ou a energia nuclear). Mas é necessário haver baterias melhores. As baterias de íon de lítio, comuns nos laptops, são as favoritas para os veículos elétricos e híbridos do tipo "plug in", que podem ser carregados numa tomada comum. Elas têm mais potência do que as baterias comuns, mas são caras e ainda não conseguem muita quilometragem por carga; o Chevy Volt, híbrido plug-in da GM que chega ao mercado no próximo ano, pode rodar cerca de 65 quilômetros só com a bateria. O ideal é que o carro elétrico alcance perto de 650 quilômetros por carga. Embora as melhorias sejam possíveis, o potencial das baterias de íon de lítio é limitado.
Uma alternativa, a bateria de lítio e ar, promete um desempenho dez vezes superior às de íon de lítio e poderia gerar a mesma quantidade de energia que a gasolina em relação ao seu peso. Como a bateria de lítio-ar suga oxigênio do ar para se carregar, ela pode ser menor e mais leve. Há um punhado de laboratórios trabalhando nessa tecnologia, mas os cientistas crêem que sem uma descoberta revolucionária, ainda podem se passar dez anos até a comercialização. Armazenamento de eletricidade Todo mundo está torcendo pelo sucesso da energia eólica e solar. Mas para o vento e o sol fazerem diferença, eles precisam de melhor armazenamento. Uma maneira em estudo utiliza a energia produzida quando o vento está soprando para comprimir o ar em câmeras subterrâneas; o ar então vai para turbinas movidas a gás, fazendo-as funcionar com mais eficiência. Um dos obstáculos: encontrar grandes cavernas utilizáveis. Ou então, baterias gigantes podem armazenar a energia do vento, mas algumas tecnologias já existentes são caras, e outras não são eficientes. Embora novos materiais para melhorar o desempenho estejam em estudo, grandes saltos tecnológicos não são prováveis. A tecnologia de íon de lítio pode ser a mais promissora para o armazenamento na rede elétrica, onde não enfrenta tantas limitações como nas baterias para carros.
À medida que o desempenho melhora e os preços baixam, as elétricas poderiam distribuir baterias de íon de lítio na periferia da rede elétrica, mais perto dos consumidores. Ali poderiam armazenar o excesso de potência gerado pelas fontes renováveis e ajudar a compensar as pequenas flutuações de potência, reduzindo a necessidade de usinas de reserva movidas a combustíveis fósseis. Biocombustíveis do futuro Uma maneira de acabar com a dependência do petróleo é utilizar fontes renováveis de combustível para o transporte. Isso significa uma nova geração de biocombustíveis feitos a partir de fontes não-alimentícias. Os pesquisadores estão projetando novas maneiras de transformar restos de madeira e de várias colheitas, lixo e plantas não-comestíveis em combustíveis de preço competitivo. Porém a maior promessa vem das algas. As algas crescem depressa, consomem dióxido de carbono e podem gerar mais de 19.000 litros anuais por 4.000 m2 de biocombustível, comparados com 1.320 litros anuais provindos do etanol de milho. O combustível baseado em algas pode ser acrescentado diretamente aos sistemas já existentes de refino e distribuição; em tese, os EUA poderiam produzir o suficiente para atender a toda a necessidade de transporte do país. Mas ainda é cedo. Dezenas de empresas já iniciaram projetos pilotos e produção em pequena escala. Mas produzir biocombustíveis de algas em quantidade significa encontrar fontes garantidas de água e nutrientes a preço acessível, controlar os agentes patogênicos capazes de reduzir a produção e desenvolver e cultivar as cepas de algas mais produtivas.
Fonte: Jornal Valor Econômico
Marcadores: aquecimento global , biocombustíveis , ecologicamente sustentável , efeito estufa , energias renováveis , fontes renováveis
Por Leticia Freire, do Mercado Ético
No total, foram 271 ultrapassagens do padrão aceitável para a saúde provocadas pelo poluente ozônio em 2009 - em 54 casos o nível de poluição foi tão alto que levou ao estado de atenção. No ano anterior, foram 202 ultrapassagens causadas pelo ozônio - sendo que em 45 vezes se chegou ao estado de atenção. O número de ultrapassagens cresceu 34%.
A mesma relação se observa ao avaliar o número de dias com qualidade do ar ruim. A capital paulista, por exemplo, teve 51 dias com ar inaceitável em 2009 e 43 dias em 2008 - um aumento de 18% - também por causa do ozônio. Os dados foram obtidos pelo Estado no Sistema de Informação de Qualidade do Ar, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CTESB).
Carlos Lacava, gerente do departamento de Desenvolvimento Tecnológico e Sustentabilidade da CETESB, ressalta que os níveis de poluição estão, em geral, mais estabilizados e que, para melhorá-los, é preciso investir principalmente em transporte sustentável.
“Uma solução meramente tecnológica não vai ser suficiente para resolver. É necessário tirar carros das ruas”, disse. Ele alerta que, enquanto o transporte público não for “mais barato, mais confortável e mais rápido”, isso não acontecerá.
(Envolverde/Mercado Ético)
Marcadores: Meio Ambiente , qualidade do ar
O Código Ambiental Catarinense pode ser lido na íntegra no menu ao lado direito, no que diz respeito a fórmula para o cálculo da APP, existe uma maneira mais simples de efetuar os cálculos, sem interferir nos resultados, veja o Art. 114.
Art. 114. São consideradas áreas de preservação permanente, pelo simples efeito desta Lei, as florestas e demais formas de cobertura vegetal situadas:
I - ao longo dos rios ou de qualquer curso de água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima seja:
a) para propriedades com até 50 (cinquenta) ha:
1. 5 (cinco) metros para os cursos de água inferiores a 5 (cinco) metros de largura;
2. 10 (dez) metros para os cursos de água que tenham de 5 (cinco) até 10 (dez) metros de largura;
3. 10 (dez) metros acrescidos de 50% (cinquenta por cento) da medida excedente a 10 (dez) metros, para cursos de água que tenham largura superior a 10 (dez) metros;
A fórmula proposta pelo código 10+(L-10)/2, que seria largura do rio menos 10 metros, divido por 2, mais 10 metros, póde ser simplificada facilitando o cálculo.
Simplificando a fórmula:
10+(L-10)/2
10+L/2-10/2
10+L/2-5
10-5+L/2
5+L/2
L/2+5
Resumindo APP é: (L/2+5) a largura do rio divido por 2 mais 5m.
Simples como água, aplique esta fórmula e obtenha a largura da APP.
Esta mesma fórmula pode ser usada em propriedades acima de 50ha.
Edimilson Cezar Murer
Eng. Ambiental
Marcadores: APP , Código Ambiental Catarinense , leis ambientais , Meio Ambiente , preservação ambiental
16/12/2009 - 10h12
COP-15 – Eliminar subsídios sem prejudicar a população
Por Claudia Ciobanu, da IPS
Copenhague, 16/12/2009 – A eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis reduziria em até 10% a emissão de gases-estufa até 2050, mas os governos deverão compensar a população pobre pela alta de preços e perda de empregos resultantes, afirmou-se na capital dinamarquesa. A cifra equivale a 20% do compromisso máximo mundial de redução de emissões pretendido pelos negociadores na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15).
Os dados sobre a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás natural) surgem de recente estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico que manejam os negociadores na Dinamarca. O fim destes subsídios poderia ser um fator importante para que o aquecimento global não supere os dois graus acima dos níveis pré-era industrial. Os governos de todo o mundo gastam atualmente entre US$ 500 bilhões e US$ 700 bilhões anuais em subsídios para os combustíveis orgânicos. Isso representa cinco vezes o dinheiro destinado à ajuda para as nações em desenvolvimento.
A maior parte destes subsídios é distribuída por países em desenvolvimento. segundo cálculos da organização ecologista Environmental Law Institute, com sede em Washington, entre 2002 e 2008 o governo dos Estados Unidos destinou mais de US$ 72 bilhões a subsídios para a produção de energia fóssil. Apesar disso, em setembro de 2009 os governantes das 20 maiores economias industrializadas e em desenvolvimento se comprometeram a reduzir gradualmente esses subsídios no médio prazo, durante a cúpula do Grupo dos 20 na cidade de Pittsburg (EUA).
Encontrar a forma de cumprir esse compromisso pode ser um desafio “tão importante” como o das negociações da COP-15, disse Per Callesen, subsecretário permanente do Ministério das Finanças dinamarquês. “Estamos pisando no acelerador dos subsídios para energias fósseis, e essa aceleração é muito maior do que o freio”, disse em um encontro sobre o tema em um hotel próximo ao Bella Center, sede da COP-15. Do ponto de vista ecológico, tem sentido eliminar os subsídios a esse tipo de combustível, mas os governos são reticentes e isso porque a alta resultante dos preços dos combustíveis poderia fazê-los perder capital político.
Muitos temem as consequências que causará a eliminação dos subsídios nas famílias pobres e nos empregados das firmas do setor de energias fósseis. Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional da Energia, disse que estes subsídios, na realidade, não beneficiam os pobres, mas a classe media, por isso não é preciso se preocupar com as consequências. Os pobres não têm automóveis e em muitos casos nem mesmo acesso à eletricidade, explicou.
A opinião de Birol foi apoiada pelo ex-presidente da Costa Rica, José María Figueres, conhecido por romper com a linha social-democrata de seu Partido Libertação Nacional para impulsionar reformas econômicas liberais. Figueres compartilhou com o público o custo político que teve de pagar por reduzir os subsídios, e argumentou que o “problema da redução de 80% nas emissões até 2050 pode ser resolvido apenas com a eliminação gradual dos subsídios para as energias fósseis e o melhoramento da eficiência energética”. O ex-presidente fez um apaixonado discurso contra os subsídios em geral, mas não abordou a questão das possíveis consequências sociais negativas que teriam os custos dos combustíveis para os pobres.
Nesse sentido, devem ser estabelecidas políticas claras para garantir que parte desse dinheiro se canalize diretamente aos setores mais vulneráveis da sociedade, argumentaram Callesen e William Pizer, funcionário de Meio Ambiente e Energia do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. “É evidente que os países em processo de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis devem adotar medidas de compensação da renda”, disse Callesen à IPS. “Como substituição, deve-se criar um sistema capaz de administrar o apoio estatal às famílias de baixa renda”, explicou.
As medidas de apoio à renda dos setores mais vulneráveis, para compensar as consequências negativas da alta dos custos do combustível, custariam aos governos muito menos do que gastam agora em subsídios, acrescentou o subsecretário permanente do Ministério das Finanças dinamarquês. “Para cada dólar economizado com o fim dos subsídios, seriam necessários apenas 20 ou 30 centavos para medidas eficientes de compensação da renda”, calculou Callesen.
Pizer citou como exemplo as políticas adotadas pelo governo dos Estados Unidos de Barack Obama para ajudar as famílias pobres a adaptarem-se à redução dos subsídios aos combustíveis fósseis, que Washington pretende instumentar. As famílias pobres recebem ajuda financeira para pagar a calefação e o Estado apoia as pessoas com baixos recursos no isolamento térmico de suas casas. O custo total do programa chega a US$ 5 bilhões, explicou Pizer. “Seria melhor e mais econômico se os governos apenas compensassem os pobres, e não todos. E para os pobres é melhor receber um dólar de forma direta do que se este for dado às indústrias de combustíveis fósseis”, disse Pizer à IPS. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/IPS/TerraViva)
Marcadores: efeito estufa , energias renováveis , fontes renováveis , Meio Ambiente
Recuperação de pastos pode cumprir 12% das metas de reduções do Brasil
Postado por Edimilson às 04:35
16/12/2009 - 01h12
Recuperação de pastos pode cumprir 12% das metas de reduções do Brasil
Por Clarissa Lima Paes, da Embrapa
Além de gerar baixo desempenho econômico para o pecuarista, as pastagens degradadas se tornaram elemento-chave em um mundo preocupado com as mudanças climáticas. A recuperação delas e a integração lavoura-pecuária (ILP) – duas tecnologias disponíveis que contribuem para a resolução do problema – vão, juntas, responder por cerca de 12% do compromisso voluntário do governo brasileiro de reduzir em até 38,9% a emissão de gases de efeito estufa até 2020, segundo proposta do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Na prática, a contribuição dessas ações deverá ser ainda maior. É o que avalia o pesquisador Geraldo Martha, da Embrapa Cerrados – unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Como atualmente a abertura de novas áreas para pastagens é uma das causas do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a recuperação das áreas de pecuária de baixa produtividade já usadas atualmente vai ser fator fundamental na liberação de áreas para acomodar a expansão de alimentos, fibras e biocombustíveis sem a necessidade de novos desmatamentos.
Como a redução de desmatamento na proposta do MMA vai ser responsável por 63,59% do compromisso de redução na emissão de gases de efeito estufa, a intensificação da produção animal em pastagens pode ser, direta ou indiretamente, responsável por 76% das ações de mitigação (NAMAs) propostas pelo governo brasileiro para 2020. “Isso demonstra a importância e urgência de investimentos em pesquisa agrícola e em transferência de tecnologia para dar suporte a essas estratégias de mitigação de gases de efeito estufa, por um lado, e em linhas de financiamento adequadas e outros incentivos para a adoção de boas práticas de manejo em larga escala pelos produtores rurais, por outro”, ressalta Geraldo Martha.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Embrapa Cerrados, se um pasto de baixa produtividade e com taxa de lotação de 0,4 cabeça por hectare passa a abrigar cinco animais na mesma unidade de área, cada hectare com essa taxa de lotação que é recuperado pela integração lavoura-pecuária libera outros oito para outros usos.
Além de contribuir na redução do desmatamento, o crescimento de produtividade em si redunda em benefícios para o meio ambiente. “Um pasto produtivo pode ser tão eficiente na conservação do solo e da água quanto uma floresta”, explica Geraldo Martha. Segundo o pesquisador, a grande quantidade de raízes no solo contribui para o aumento da matéria orgânica, o que incrementa também a captura carbono da atmosfera e melhora a eficiência de uso da água e de nutrientes no sistema.
Outro grande problema da pecuária relacionado ao efeito estufa é a emissão de metano pela digestão dos bovinos, que também é diminuída pela melhor qualidade das forragens. Estudos da Embrapa apontam que a emissão do gás pelos animais pode cair pela metade quando eles são criados em sistemas com elevada disponibilidade e valor nutritivo de forragem, como em sistemas de integração lavoura-pecuária bem manejados. “E a boa notícia é que o aumento no desempenho animal em pastagens, além de reduzir o impacto ambiental negativo da pecuária, geralmente aumenta o retorno econômico do empreendimento”, acrescenta Martha.
Para o pesquisador da Embrapa Cerrados Lourival Vilela, que coordena os estudos de pesquisa em integração lavoura-pecuária na Embrapa (Prodesilp), pelo menos metade das pastagens brasileiras estão em algum grau de degradação. Nessas condições, o solo é geralmente de baixa fertilidade e assim há menor produtividade , o que aumenta o custo de produção, especialmente em pequenas propriedades.
Esse quadro de baixa produtividade das pastagens causa perda de matéria orgânica, erosão e compactação do solo. Por outro lado, a integração lavoura-pecuária, além de beneficiar o meio ambiente, permite maior eficiência no uso de fertilizantes, redução de plantas invasoras e ganhos de produtividade tanto nas lavouras quanto na pecuária.
(Envolverde/Embrapa)
Marcadores: biocombustíveis , Desmatamento , efeito estufa , Meio Ambiente , mudança climática
Papai Noel quer sua ajuda...
...para fazer o Natal de 3,1 mil crianças mais feliz. Elas enviaram cartinhas com pedidos aos Correios, mas 2,3 mil ainda aguardam para ser adotadas BLUMENAU - Na parede do refeitório da empresa onde trabalha, Lilian de Oliveira, 30 anos, pregou um mural de cartolina com 30 botinhas de Natal. Cada sapatinho, confeccionado com ajuda de colegas, representa um pedido de presente feito por uma criança e enviado aos Correios de Blumenau. Dessa forma, ela incentivou outros 29 funcionários da empresa a adotar as cartinhas e realizar os desejos dos pequenos. Graças à iniciativa de pessoas como Lilian, 800 pedidos enviados para a Promoção Natal dos Correios haviam sido adotados até ontem. No entanto, ainda restam 2,3 mil à espera de pessoas com bom coração na agência do Centro. O prazo para adoção encerra sábado. A maioria dos pedidos é de bonecas Barbie, material escolar, bicicletas e pista de carrinhos Hot Wheels.
– Cada vez mais o Natal tem um apelo comercial. Muitos pais não têm condições de presentear os filhos, por isso ajudamos – explica Lilian.
Assim como ela, este é o terceiro ano que a analista de sistemas Ana Lúcia Engel Volles, 36, convoca os amigos para ajudar. Este ano, selecionou 20 cartinhas. Ana Lúcia arrecada dinheiro com os amigos, compra os presentes, embrulha e depois entrega os pacotes nos Correios, para chegarem às mãos das crianças.
– Escolho as cartas das crianças que parecem ter mais necessidade. Tem criança que pede cesta básica. Isso corta o coração – conta Ana Lúcia.
Correios recebeu o dobro de cartas do ano passado
Incentivado por Lilian, Ismael Fernando Schubert, 28, adotou uma carta pela primeira vez este ano. O analista de sistemas recomenda:
– É um gesto nobre. Tem criança que pede material escolar. O que para nós é algo mínimo e relativamente barato, para ela é um presente.
A expectativa da gerente da agência do Centro dos Correios, Gabriela Eufrázio Dorow, é superar o número de cartas adotadas em 2008, quando 800 pedidos foram atendidos. No entanto, este ano os Correios de Blumenau receberam 3,1 mil cartas, praticamente o dobro dos anos anteriores. A demanda fora do comum estaria relacionada ao fato de os Correios terem envolvido as escolas na confecção das cartas.
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DAIANE COSTA E VINICIUS BATISTA
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